ÁGUAS DO CERRADO E SAÚDE ÚNICA: DESAFIOS DAS MUDANÇAS CLIMÁTICAS NA INTERFACE SER HUMANO-ANIMAL-AMBIENTE
Palabras clave:
Biodiversidade, Meio ambiente, Savana brasileira, Uma só saúde, ZoonosesResumen
O Cerrado é caracterizado como bioma estratégico para a manutenção da biodiversidade e dos principais sistemas hídricos do Brasil, cuja integridade é ameaçada por desmatamento, queimadas e expansão agropecuária intensiva, fatores que interagem com alterações de temperatura e regime pluviométrico provocadas pelas mudanças climáticas que podem interferir na Saúde Única. Para tanto, o presente estudo objetivou discorrer sobre a inter-relação entre mudanças climáticas, recursos hídricos, fauna silvestre, produção animal e uma só saúde no bioma Cerrado brasileiro. Para tanto, desenvolveu-se uma revisão de literatura narrativa crítica, abrangendo publicações científicas, relatórios técnicos e documentos oficiais publicados nos últimos dez anos. A revisão evidencia que tais transformações comprometem a disponibilidade e a qualidade da água, aumentam o estresse térmico e reduzem a produtividade animal, além de favorecerem o surgimento e a propagação de zoonoses e doenças emergentes, como leishmaniose, hantavirose e arboviroses. A fragmentação de habitats e a perda de biodiversidade ampliam o contato entre fauna silvestre, animais domésticos e humanos, elevando o risco de spillover de patógenos. Estratégias baseadas na Saúde Única, incluindo monitoramento de espécies sentinelas, conservação ambiental e integração entre saúde pública, veterinária e manejo hídrico, são identificadas como fundamentais para mitigação de riscos. Conclui-se que a articulação de pesquisa, políticas públicas e ações de extensão é essencial para promover resiliência ecológica, segurança alimentar e proteção da saúde em ambientes humanos e animais, evidenciando a inseparabilidade entre conservação do bioma Cerrado e prevenção de impactos sanitários e socioeconômicos associados às mudanças climáticas.
