FIBROMIALGIA: DESAFIOS NO DIAGNÓSTICO E MANEJO NA PRÁTICA CLÍNICA

Autores

  • Camila Alves Messac Unifimes Campus Trindade
  • Alice Lima Araújo

Palavras-chave:

Fibromialgia, Clínica Médica, Diagnóstico, Manejo Terapêutico

Resumo

A fibromialgia (FM) é marcada pela dor crônica, por pelo mens três meses, musculoesquelética em quatro quadrantes do corpo, acompanhada de distúrbios do sono, fadiga, sintomas somáticos e cognitivos, além de manifestações psíquicas. Sua etiologia permanece indefinida, mas fatores genéticos, psicofisiológicos e alterações na neurotransmissão apontam para a origem da doença. A FM atinge cerca de 3% da população brasileira, sendo mais prevalente em mulheres, segundo o Ministério da Saúde (MS). Trata-se de uma condição de grande impacto clinico e social, comprometendo a funcionalidade e qualidade de vida, o que reforça a necessidade de maior atenção dos profissionais de saúde. O objetivo deste estudo é discutir os principais desafios no diagnóstico e no manejo da fibromialgia, ressaltando os avanços clínicos e terapêuticos disponíveis. Trata-se de uma revisão integrativa da literatura com base em artigos publicados nos últimos 10 anos nas bases PubMed e Scielo, além de diretrizes nacionais e internacionais sobre diagnóstico e tratamento da doença. Os resultados evidenciam que o diagnóstico da FM é exclusivamente clínico, visto que não há exames laboratoriais ou de imagem específicos. Os critérios o American College os Rheumatology (ACR) 1990, centrados na contagem de pontos dolorosos, foram substituídos pelos critérios de ACR 2010/2011, que utilizam o Índice de Dor Generalizada (WPI) associado a Escala de Severidade dos Sintomas (SSS), apresentando acurácia superior a 90%. Apesar desses avanços, a ausência de marcadores objetivos dificulta a identificação precisa e pode atrasar o tratamento, pois a síndrome pode ser confundida com artrite reumatoide, lúpus eritematoso sistêmico, miopatias ou neuropatias. O manejo em questão, deve ser individualizado e não tem como alvo a cura, mas sim reduzir o sofrimento, melhorar a funcionalidade e promover a autonomia. A literatura destaca a importância de atividades físicas regulares, especialmente musculação e hidroginástica. No âmbito farmacológico, são utilizados antidepressivos tricíclicos como a Amitriptilina, anticonvulsivantes como a Pregabalina e relaxantes musculares, podendo ser associados conforme necessidade clínica. Apesar das melhorias nos critérios diagnósticos e da disponibilidade de múltiplas modalidades terapêuticas, a fibromialgia ainda é subdiagnosticada e frequentemente tratada de forma inadequada. A prescrição isolada de analgésicos, sem reconhecer a natureza nociplástica da dor, representa conduta insuficiente e prejudicial. O reconhecimento precoce e a abordagem multidisciplinar são fundamentais para reduzir o sofrimento e melhorar a qualidade de vida. Conclui-se que a fibromialgia exige diagnostico criterioso e manejo abrangente. Seria um descuido não estar atento à correta identificação da doença e à condução de um tratamento personalizado que vá além da simples medicação. Cabe ao médico, portanto, não apenas diagnosticar com precisão e indicar as melhores estratégias terapêuticas, mas também educar o paciente, esclarecendo que não há cura definitiva. Contudo, há recursos eficazes que permitem reduzir sintomas, recuperar a autonomia e possibilitar que o individuo lide com a síndrome de forma mais ativa e consciente.

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Publicado

27-02-2026